O processo de restauração capilar tem proporcionado uma redistribuição dos cabelos perdidos da forma mais natural. Hoje já é possível por meio de técnicas avançadas obter um aspecto natural através da cirurgia, afastando o estigma do efeito “cabelo de boneca” existente no passado.
Sabe-se que as primeiras cirurgias surgiram no oriente nas décadas de 30 e 40. Porém um médico americano,chamado Norman Orentreich, publicou nos anos 50, uma técnica rudimentar para o transplante de cabelos. Consistia na retirada de “rodelas” de cabelo, de aproximadamente 4 mm da área doadora , com um instrumento chamado “punch”. Na área calva, estas mesmas “rodelas”eram retiradas e preenchidas pelas que haviam sido retiradas da área doadora. Os cabelos cresciam, é verdade, mas a estética deixava muito a desejar. O próprio Dr. Orentreich evoluiu e nos anos 80, publicou uma nova técnica chamada de “micro-mini-grafting”, que consistia numa combinação de enxertos de até 6 fios e também enxertos com 1 a 3 fios para dar acabamento. Ainda assim, este procedimento ficava muito longe do que é atualmente permitido para satisfazer as necessidades estéticas.
Nos anos 90, as evoluções continuaram e permitiram a difusão do uso das UNIDADES FOLICULARES que consistem em unidades contendo de 1 a 4 fios de cabelo, respeitando a forma como são removidas da área doadora e, dessa forma, redistribuídas na área calva, superando mais um desafio da era moderna: conseguir realizar um procedimento que devolvesse a naturalidade dos cabelos perdidos, com a densidade necessária para cobrir a calvície. Ou seja, as unidades foliculares removidas da área doadora que tivessem apenas 1 folículo (pêlo) poderiam ficar mais à frente, mais próxima à testa. As outras unidades foliculares, que tivessem mais de 2 fios, ficariam mais atrás, devolvendo a tão sonhada densidade.
É importante citar que a área doadora, localizada na parte de trás da cabeça, na grande maioria das vezes, não é afetada pelo processo de Alopecia Androgenética (AAG), portanto não apresentam o gene para a calvície.
A duração da cirurgia varia de caso para caso. Vai depender da elasticidade do couro cabeludo, da densidade da área doadora, de cirurgias prévias que resultem em cicatrizes no couro cabeludo e da complexidade do caso na redistribuição dos fios coletados da área doadora, para seguir a direção dos fios remanescentes. Sempre respeitando a naturalidade como um dos objetivos principais. É bom lembrar que na cirurgia nenhum fio é produzido, apenas redistribuído.
Técnica Cirúrgica
Depois de avaliado o paciente pelo anestesiologista, é devidamente preparado pela enfermagem do hospital para a cirurgia. Apesar de ser considerada uma cirurgia estética, todos os cuidados inerentes aos procedimentos cirúrgicos são tomados a fim de evitar intercorrências.
O primeiro passo para uma cirurgia de transplante de cabelo é a remoção da área doadora, a qual é retirada da região de trás da cabeça, na nuca, em forma de elipse.
As bordas são então aproximadas por planos com a técnica da sutura tricofítica, que consiste em interpor cabelos entre as bordas, com o objetivo de produzir no final do processo de cicatrização uma cicatriz assemelhando-se a uma fina linha a qual será recoberta pelos cabelos remanescentes. Dessa forma a tensão é removida e essa futura cicatriz tende a forma apenas uma linha imperceptível.
É dessa elipse que serão retiradas as unidades foliculares que serão implantadas na área receptora. Essa é uma parte interessante no procedimento cirúrgico, pois a equipe precisa estar bem treinada a fim de produzir unidades com 1, 2, 3 ou 4 fios. Como está se falando em precisão, é necessário o uso de microscópios tridimensionais para realizar esta tarefa com perfeição. Além disso, estas unidades fabricadas necessitam ser acondicionadas numa substância que mantenha o padrão a fim de garantir a “pega” desses enxertos. A equipe do Dr. Fernando Basto é formada por 9 profissionais altamente treinados, sendo 5 enfermeiras técnicas em microscopia, responsáveis pela confecção das Unidades Foliculares, 2 assistentes auxiliando o Dr. Fernando Basto diretamente e o Anestesiologista, responsável pela sedação e acompanhamento do paciente em todo o procedimento cirúrgico.
No que diz respeito à enxertia propriamente dita, Dr. Fernando Basto, considera esta fase como sendo a mais importante de todo o procedimento, pois é nesta etapa que o cirurgião precisa da sensibilidade para avaliar a direção dos fios remanescentes e seguir esta mesma direção, e dessa forma, dar naturalidade ao resultado.
Mediante o consenso entre o cirurgião e o paciente, antes desse ir ao centro cirúrgico, a LINHA ANTERIOR IRREGULAR **, é delimitada. Este é um detalhe importante que por muitos anos passou despercebido.
É essa irregularidade que vai trazer naturalidade ao resultado. Além do cuidado no preparo das unidades foliculares, respeitando cada estrutura anatômica que faz parte dessa unidade, hoje em dia conta-se com um verdadeiro arsenal de materiais para implantação desses cabelos.
Geralmente na calvície que envolve a linha anterior, a área a ser trabalhada é em torno de 2 cm de largura por 20 a 25 cm de comprimento. Nessa área, chamada de Zona Anterior pelo Dr. Fernando Basto, serão realizadas micro-incisões, cuja espessura não ultrapassam 1mm, onde serão implantadas as unidades com 1 e 2 fios. Estas micro-incisões poderão ser sagitais ou coronais, variando sua angulação e direção, proporcionando uma simulação mais natural da Criação Divina. As unidades serão implantadas pelo Dr. Fernando Basto com o auxílio de duas assistentes, com uma micro lâmina e uma micro-pinça que não “machucam” a unidade folicular. É um trabalho demorado, artesanal e extremamente delicado que envolve uma série de profissionais devidamente treinados e que pode demorar até 7 horas para implantar em torno de 7000 fios de cabelo, uma média de 2500 a 3000 unidades foliculares.
Após o preenchimento dessa “Zona Anterior Irregular”na área receptora, o trabalho continua e as unidades foliculares devem ser um pouco maiores mas não ultrapassando 4 fios. Estas unidades maiores simularão uma maior densidade no meio da cabeça. O paciente, porém nunca deve esquecer que o resultado depende de todos os fatores já descritos anteriormente, os quais são encontrados na área doadora e que possibilitarão uma quantidade pré determinada de unidades foliculares.
Uma outra área a ser tratada de forma particular é a região de vértex ou coroa. Nesta região, vários desenhos naturais são encontrados e o cirurgião deve seguir a mesma filosofia da linha anterior irregular, obedecendo à direção dos fios remanescentes, muitas vezes recriando “redemoinhos” devolvendo a naturalidade da região a ser tratada.
** LINHA ANTERIOR IRREGULAR: Técnica desenvolvida pelo Dr. Fernando Basto em 1993. Publicada na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica em 1996 - link para a publicação.